sexta-feira, 26 de outubro de 2012

As quatro primeiras etapas do processo de cultivação taoísta

O método de cultivação interna taoista como foi passado pelo ermitão nuvem branca ao mestre Matak Chia consistia inicialmente de 7 fórmulas, ou etapas, ou processos.

Abaixo vão as quatro primeiras etapas (de nove):

primeira fórmula: sorriso interno, órbita microcósmica e seis sons que curam

A base da cultivação interna taoista é a meditação do sorriso interno. Uma técnica que se aprende no básico e que desenvolve até o mais alto nível.

A órbita microcósmica é abertura dos canais de energia que ficam a frente e atrás do corpo, permintindo uma melhor circulação da energia e um melhor desenvolvimento da saúde.

Os seis sons que curam é nome dado a tecnicas de meditação com o auxílio do som que permitem ao praticante liberar o qi estagnado dos cinco grandes orgãos e do canal central.

Segunda fórmula: qi gong da camisa de ferro, aterramento, respiração óssea, qi gong primordial, tecnicas para cultivar a energia sexual e outras.

Esta fórmula continua o trabalho da anterior de prover saúde física ao praticante, como também tecnicas base de qi gong que vão permitir o desenvolvimento de habilidades fundamentais para a prática da alquimia mais adiante.

Essa é provavelmente a etapa mais aberta, onde professores inserem e retiram técnicas de acordo com a sua própria necessidade e a dos alunos.

A grande maioria dos estudante que procuram iniciar a alquimia interna não passa desta etapa.

terceira fórmula: Alquimia Emocional

É aqui que o processo alquímico realmente começa, transformando as emoções negativas e alimentado as virtudes.

Quarta fórmula: Lesser Kan&Li, ou alquimia sexual interna

Nas fórmulas anteriores são abordados primeiro o corpo energético  depois o corpo emocional. aqui entramos no corpo espiritual e no desenvolvimento do embrião espiritual.

Esta formula é extremamente eficaz em conflitos sexuais, emocionais, auto sabotagem. aqui se produz um "vapor" que desobstrui bloqueios e revigora o organismo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Mantak Chia fazendo qigong primordial

O famoso mestre Mantak Chia começou a incorporar o primordial Qigong em suas técnicas. Ele modificou um bocado a forma original (eu sei por fato que ele a aprendeu com o Michael Winn), como é típico do Mantak. Achei interessante a interpretação dele e algumas das coisas que ele acrescentou mas achei que ficou um pouco "dura" demais. a vantagem é que a produção do vídeo dele é melhor.





quarta-feira, 5 de setembro de 2012

sobre o processo de "iluminação"

Chi, energia, campo de energia universal, essas coisas realmente existem ou são apenas uma invencionice criada para suprir a falta de uma religião moderna que possa dar conta do desamparo da vida moderna?

Essa é uma pergunta justa, uma duvida razoável e pessoalmente prefiro aqueles que exercem um ceticismo saudável do que aqueles que se propõem a acreditar imediatamente em tudo que é dito por um guru simpático, de sorrisos afáveis.

Já escutei algumas vezes pessoas que proferem acreditar que na China, terra de origem do qigong, o conhecimento ou a experiência do chi é algo comum. Eu discordo. Anos atrás estava fazendo um seminário de qigong com o mundialmente famoso mestre Matak Chia, fundador do sistema healing tao, e quando perguntado a respeito de como havia conhecido seu mestre, o eremita conhecido como One Cloud, ele contou a história de quando estava sentado em um bar com amigos em Hong Kong discutindo justamente se coisas como chi e feng shui eram verdadeiras. De repente, foram interrompidos por um sujeito que chega a mesa e afirma que tudo aquilo que eles estavam discutindo hipoteticamente era verdade e que para lhes provar ele iria leva-los para conhecer o mestre dele.

Os detalhes desta história pretendo contar futuramente em outro post. O que quero entrar em detalhes é o fato que impulsionou estes acontecimentos, algo que realmente chamou minha atenção na época: se Chia estava naquele momento discutindo com outros chineses a possibilidade do chi ser ou não real então é correto afirmar que mesmo na China existem dúvidas sobre a existência do chi.

Então, a fantasia de que na China as crianças brincam com bolas de chi ao invés de bolas de futebol cai por terra.

Mas voltemos a pergunta original: chi, ou campo de energia universal, é algo real ou algo criado da imaginação das pessoas?

No fim das contas, a única coisa que vai responder a esta pergunta é a prática diligente de alguma forma genuína de meditação. É ela, junto com diversos outros fatores, que podem levar ao que eu cham de um estado de transição da consciência.

Eu identifico dois estados para essa transição de conciência: 1) Gradual, onde a consciência primeiro expande e depois contrai novamente. Nesses casos a experiência do chi é sentida quase como um sonho e as vezes desaparece quando a mente retorna para seu estado normal. Com a prática a transição de um estado para outro acontece com mais facilidade e a "consciência transcendental" começa a operar no mundo mudano. 2) instantânea, quando a mudança de consciência é permanente e irreversível. Acontece em experiências radicais, quando o ego, ou grande parte dele, é dissolvido imediatamente. Geralmente é o que acontece em experiências de kundalini, como a relatada por Gopi Krishna.





segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A procura do Magus de Java

Nessas últimas semanas me apresentaram o livro "o magus de java" o relato do grego Kostas Davos, do seu treinamento em convívio com Jon Chang, ou como é conhecido no you tube Dynamo Jack (postei o o vídeo dele há um tempo atrás).

Davos teria assistido ao documentário "ring of fire", onde o vídeo que tanto aparece no you tube foi retirado, e partira em uma jornada para aprender as habilidades fantásticas que assistiu. Depois de algum esforço (mas não muito) Davos encontra este fantástico mestre e se torna seu aprendiz e que se segue é um relato de histórias que parecem uma mistura peculiar e suspeita de filmes wushu com os livros de Carlos Castaneda.

Eu suspeito que o relato do livro seja falso, um delírio de Davos ou uma invencionice feita para sugar dinheiro dos deslumbrados. Digo isso porque os ensinamentos relatados por Davos são simplistas demais e parecem retirados de uma visita a biblioteca e não da experiência de treinar com um mestre em neidan.

Mesmo que se decida aceitar as palavras de Kostas, ele parece um adolescente deslumbrado, encantado e sonhador com histórias que escuta e pouco observador das coisas que realmente vê.

Seja verdadeiro, seja real, não o considero uma bom livro de qigong ou neidam. Focado demais na obtenção de poderes paranormais sem qualquer utilidade.

Não sou contra fenômenos ou habilidades supranaturais e acredito que a pratica de alquimia desenvolve habilidades que podem ser consideradas "superhumanas" aos olhos de outro. Mas acredito que começar um caminho de desenvolvimento espiritual calcado somente nisso como algo perigoso.

Além disso, pode ser uma perda de tempo sem tamanho. Nosso tempo é limitado e devemos ser sábios ao escolher desenvolver habilidades que vão multiplicar seus benefícios sobre nós e não apenas para satisfazer um ego exibicionista.


The Tao Speaks: Lao-Tzu's Whispers of Wisdom


Que felicidade a minha encontrar no mês passado a versão em inglês do primeiro livro sobre o Tao que li em minha vida. Publicado no Brasil sobre o nome "O Tao em quadrinhos" este livro é provavelmente uma das mais belas adaptações do Tao Te King que já encontrei. Simples e belo como o Tao, as ilustrações de Tsai Chinh dão forma aos ensinamentos de Lao Tsu de uma forma simples porém profunda. No Tao, menos significa mais e perder a necessidade de algo é mais importante que a vontade de adquiri-la.

Para minha surpresa, o livro se encontra esgotado mesmo nos Estados Unidos e edições novas são negociadas no market da Amazon pelo valor assustador de 300 dólares. Mas é possivel encontrar edições usadas em bom estado por 14 dólares.

Um excelente livro de cabeceira para quem quer se aventurar na filosofia taoísta...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

sobre o filme "Shame" e um pouco da abordagem taoista sobre a sexualidade

Outro dia assistindo ao filme "Shame" com Michal Fasbender não conseguia tirar a meditação de Lesser Kan&Li da alquimia taoísta da cabeça.

Para quem não assistiu o filme trata-se de um homem, interepretado pelo ótimo Michael Fasbender, que, a grosso modo, teria um disturbio compulsivo sexual. Explicando, ele possui uma necessidade incessante de fazer, pensar e enxergar sexo, um comportamento que apenas lhe traz um profudo sofrimento.

Penso que o filme é menos sobre um sobre  um homem um distúrbio psiquiatrico e mais sobre alguém com uma força destrutiva dentro de si, o que Freud chamaria de pulsão de morte e Jung de Sombra, que não consegue controlar ou dar  um destino produtivo.

E nisso tanto Freud, Jung e alquimia taoista concordam, existe na sombra, ou no nosso lado destrutivo um forte componente sexual.

No Tao existe um dizer "Shen deseja o Jing e Jing deseja o Shen". Isso significa que o espírito deseja conhecer a carne, a essência, a substância. Para os taoistas, o desejo de se livrar da carne vêm do Jing, que sonha em se livrar das amarras e limitações do corpo físico.

Partindo deste princípio, a sexualidade tem um importante papel na realização pessoal e espiritual, já que se trata de comunhão entre o espirito e a matéria. O Pai (shen), o filho (jing) e o espirito santo (o embrião imortal), fazendo uma analogia com a tradição cristã.

A meditação de Lesser kan&li é uma forma de fazer essa conexão internamente usando nosso Jing e Shen internos. Normalmente procuramos fazer essa conexão com o externo, com o Shen ou o Jing de nossos parceiros ou fazemos como o personagem de Michael Fassbender em Shame, corremos no mundo por algo que na verdade está dentro de nós.

Através dessa conexão entre Shen e Jing é possivel aplacar ou mesmo dissolver as nossas sombras internas que tem sua origem nesta dissociação Jing/Shen, e com isso conseguir certo alívio nas tensões internas.

O personagem de Michael Fassbender em "shame" é um homem atrás de sua própria alma, que não procura sentido apenas no sexo mas na sua própria existência. A analogia que fazemos do ato sexual com a palavra "comer" se aplica aqui, pois o que ele procura nos diversos relacionamentos e atividades é obter  um pouco da "alma" do outro. Mas, na maior parte das vezes, só consegue atrair os que são iguais a ele.